21 de jul. de 2011

MUDAMOS!

Estou passando a publicar meus textos no endereço http://joaezices.wordpress.com

meus textos mudaram um bocado em relação ao que eu escrevia aqui, então achei melhor começar tudo de novo. espero que quem me seguia aqui, se é que vai ler isso, espie de vez em quando o meu endereço novo... obrigado, folks, foi bom dividir minhas idéias com vocês.

22 de nov. de 2010

TUMBLR

http://aladingrunge.tumblr.com curtam aí meu tumblr loko em parceria com uns brothers. se a piada tem graça, ela está no fato de traduzirmos letras de música de maneira a sair tudo errado e engraçado!

6 de nov. de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=D1RZJ8R3hgM

outro, to nem aí

31 de jul. de 2010

wITHIN-

mais um vídeo idealizado e executado por mim e meus comparsas.

12 de mai. de 2010

22 de fev. de 2010

Saudade

-João Mammana

Mente quem diz que video games destroem o cérebro e são um desperdício de tempo.
Eu realmente me emociono ouvindo a trilha sonora de Ocarina of Time.

18 de fev. de 2010

Stalker, parte um

-João Mammana

Ele nunca desistiu das fitas cassete. São Paulo, 3:42 AM, 22/7/04 e ele estava sentado ao pc ouvindo sua mixtape favorita no som do quarto. Navegava pelo Myspace que, por ser uma rede recente, não era muito difundida. Tentou o Orkut, mas os bugs eram irritantes demais. Ouvia Naked City porque assitiu a Funny Games do austríaco Michael Haneke e achou a trilha sonora ótima, apesar de bizarra. Há alguns anos seus amigos vinham tentando dissuadí-lo de gravar CDs e LPs em cassetes, mas ele não podia evitar. Achava mixtapes as coisas mais legais do mundo. Não achava moderninhas como os CDs e nem antigas e pseudo-cool como os LPs. Mesmo detestando as tendências oitentistas, gostava de fitas. Agora estava ouvindo Orchid. Música agressiva o agradava, apesar de seu visual e comportamento não serem agressivos. Tinha o cabelo curto, tinha um gosto grande por camisas xadrez, calças jeans e tênis. Também tinha uma grande coleção de hoodies. Sobre a mesa do computador, fitas cassetes espalhadas, uma caneca vazia, anotações da escola, livros e HQs que tinha que ler ou devolver. Havia acabado de ler Catcher in the Rye de J. D. Salinger onze minutos antes. Ganhara de seu pai, que era americano e havia lido escondido na adolescência, pois o livro era considerado subversivo. Apesar de ter não ter achado nada subversivo para os padrões atuais, concordou que àquela época devia ser uma bomba e deixou-se viajar no tempo para os anos em que os malefícios do cigarro eram praticamente desconhecidos e garotos e garotas não estudavam juntos. Garotas. Ao lado da pilha de livros e HQs, estava a foto de Anabel, sua ex-namorada que deixou o estado e supostamente não suportou a solidão, o que o garoto achava perfeitamente normal, apesar de duvidar que aquele fosse o real motivo. Nunca confiou plenamente na garota, mas não seria agora que se preocuparia com isso. Cobriu a foto com Catcher in the Rye e voltou os olhos para a tela do computador. Agora ouvia Radiohead. Música calma era tão boa quanto a agressiva e combinava com seu visual. Mas com o seu comportamento, só combinava o silêncio. Não falava muito e compensava pensando ensimesmado no quarto. Tinha amigos, gostava deles, mas preferia ouví-los conversando sobre qualquer coisa do que participar das conversas. Andavam de skate, jogavam video game e saíam de noite para beber aos fins de semana. Ficou indo de perfis em perfis de Myspace fazendo download de músicas das bandas que divulgavam seu trabalho na rede. Agora estava ouvindo Fugazi. Começou a vasculhar o perfil de um quinteto chamado Alexisonfire quando leu um comentário de uma garota chamada Eloísa elogiando a banda. Eloísa. Nunca havia visto muitos brasileiros no Myspace, quanto mais uma garota bonita. Clicou no perfil de Eloísa e ia começar a vasculhar quando seu pai entrou furioso no quarto berrando para o garoto ir dormir, pois tinha aula no dia seguinte. Assustado, desligou o computador e foi dormir imediatamente.

29 de jan. de 2010

E descansou no sétimo dia

-João Mammana

Eu sou um vulcão ativo. Instável, paranóico, imprevisível. Sou um motor superaquecido. Gasto, estressado, sem controle. Mastigo a tristeza, engulo a frustração, revolvo a raiva e cuspo sangue. É tanto café, cigarro, remédio, cachaça e o caralho à quatro que dificilmente ajo conscientemente. É tanta raiva que me dá sem razão que espanco meus móveis e paredes até rasgar os punhos e quebrar meus dedos. E aí eu choro mais e mais. Bato a cabeça em quinas tentando morrer, mas elas não me deixam. Só me machucam o bastante pra eu não morrer e não poder bater de novo. Se o telefone toca, tenho medo de atender. Tentei me matar à americana, ligando o carro na garagem para sufocar com os monóxidos, dióxidos, foda-se. Nada, não tenho uma garagem de americano. Só consegui acabar com a gasolina. Apoderado de uma faca, cortei o punho, mas fiz errado e não acertei minhas veias. Pelo menos acertei nervos, pois não consigo mais fechar a mão. A televisão não liga desde que eu enterrei meu pé descalço pela tela. Me cortei inteiro tentando tirar ele de dentro da estúpida carcaça. Arremessei contra a parede um a um dos pratos que minha ex-mulher deixou em casa. Tentei rolar nos cacos como Iggy Pop fazia em shows e só fiquei mais nervoso. Queimei o meu almoço quando senti fome e estourei o fogão com um taco de golfe que a minha ex-mulher deixou em casa, herança do pai imbecil dela, que amava golfe. Golpeei minha cabeça com o taco umas vezes antes de atirá-lo para o meio da rua. Pedi uma pizza, só porque chovia muito e é inverno. Deixei o entregador plantado até ele ir embora. Não aguento sofrer sozinho. Mas quem é que quer compartilhar sofrimentos? Minha ex-mulher me deixou num dia como hoje, quando acordou com minhas mãos em volta do pescoço dela. Eu não queria matá-la, acho. Eu só não posso com a sensação de desalento perpétuo e a duração inesgotável de um dia como hoje. Num dia como hoje, tudo que me vem à cabeça é a auto-destruição. Nada que me digam pode ajudar. Nenhum passa-tempo faz o tempo passar. Eu quero explodir. Quero me unhar até não sobrar uma fibra grudada na outra.

Deus, onde Você estava com essa Sua cabeça de merda quando inventou o domingo?

28 de jan. de 2010

A história sem fim

-João Mammana

Era uma vez, num vilarejo distante do reino, um jovem chamado Francisco Escaleno. Sua família era, naquele tempo, pobre, porém orgulhosa da época em que todos os homens nascidos nela faziam parte da guarda pessoal do antigo e bondoso rei, que fora deposto por um maligno bruxo. Num dia, sem aviso prévio, a tataraneta do antigo rei conseguiu enviar um majestoso pombo branco à casa de Francisco com um pedido de ajuda, pois a sua família era mantida em cativeiro no castelo do bruxo desde a época da deposição. Como seu pai era muito velho e seus irmãos estavam viajando para a cidade para trocar feijões por vacas, coube a Francisco empunhar a antiga espada da família e partir para libertar a família real.


Assim que pôs o pé na estrada, porém, Francisco foi abordado por um pequeno grupo de salteadores que lhe deram quinze picaretadas na cara e mataram sua égua, levando as cinco moedas de cobre que o jovem carregava.

6 de jan. de 2010

O morto molhado

-João Mammana

A chuva chove sobre o cemitério,
o vento varre as folhas do chão.
Os vermes que estão lá em baixo
emergem da terra em multidão.

Abaixo deles, dentro do caixão,
mortos reclamam da terra molhada
porque o túmulo tem infiltração
e, encharcado, não se dorme nada.

Muito xinga o novo defunto,
esmurra a esmo o tampo de madeira,
vira-se na cova a noite inteira
dizendo: - eu disse praquele tapado
que eu queria ter sido cremado!

2 de jan. de 2010

O homem mais sincero da cidade

-João Mammana

Na grande avenida onde centenas de milhares de pessoas passam apressadamente todos os dias, um mendigo está sentado sob o toldo de uma pizzaria fechada. Estende a mão para os que passam por ele. Ninguém olha.


Inverno, dia chuvoso. Ele estende a mão. Ninguém olha. Anseia que alguém lhe dê alguma ajuda. "Uma moeda, moço", é só o que ele pede, mas realmente queria que alguém desse a ele um almoço. Um banho quente. Uma casa. Um milagre.

Passam reto a madame e seu cãozinho. Passa reto o adolescente com seu iPod. Passam reto a mãe e seu filho de sete anos. O mendigo só queria uma ajudinha. A chuva começa a cair mais forte, ele se encolhe sob o toldo vermelho, mas deixa os pés descalços e imundos para fora. Mas não amaldiçoa as pessoas nem o mau tempo. Não amaldiçoa nada há anos. Estende a mão. Um homem de uns trinta anos, aparência bonita, físico atlético e roupas caras sob um guarda-chuva preto pára. Olha para ele.

- Uma moeda, moço.

- Não tenho moeda, amigo. Eu só tenho notas altas. Logo adiante minha namorada está me esperando na porta do cinema. Eu vou até lá, sentar com ela numa das cadeiras vermelhas, secas e confortáveis do cinema, assistir àquela porcaria de filme que ela gosta, beijá-la uma vez ou outra e...

- Moço...

- Calma, não acabei. Depois do filme, vamos jogar fora os pacotes vazios de pipoca amanteigada, minha favorita, no lixo junto com as latas de coca-cola zero. Depois eu e ela vamos até o meu carro, que eu parei ali atrás naquele estacionamento, e eu vou dirigir até um restaurante de comida japonesa, minha favorita. Vamos entrar e pedir um combinado com sushis, hassamakis, kappamakis, temakis, sashimis e o que mais tiver no menu. Vamos comer deliciados. Talvez sobre um pouco no prato, vai parar no lixo-, enquanto fala o homem em pé, o mendigo baixa a cabeça e começa soluçar. - Qual o problema? Depois eu e minha garota, que está me esperando na porta do cinema para começarmos a nossa aventura, vamos para o meu apartamento de cobertura abrir uma garrafa de vinho, tomarmos duas taças cada um e vamoss para a minha cama quente e seca, onde vamos trepar a noite inteira. Quando acabarmos, ela dorme, eu vou até a janela, fumo um cigarro e vou para a cama dormir. Vai estar frio aqui fora por volta das quatro da manhã, por isso eu vou pegar um cobertor à mais no armário antes de ir para a cama. E vou dormir um sono maravilhoso e aliviado, o sono dos justos. Faça o favor, homem, eu odeio ver gente grande chorando.

- Moço, o senhor é muito ruim, moço, pra quê falar essas coisas pra mim?-, diz o mendigo, desolado.

- Ruim? Amigo, eu sou tão ruim quanto qualquer outra pessoa que passa reto por você quando você estende a sua mão suja pedindo dinheiro. Tão ruim quanto quem fecha o vidro do carro pra não sentir seu cheiro enquanto anda pra lá e pra cá no farol fechado arrastando sua manta asquerosa esmolando. Todas essas pessoas esquecem você na esquina seguinte e vivem como se você fosse uma projeção de algo que não existe no mundo delas. Amigo, me desculpa, mas eu diria que sou melhor que todas essas pessoas. Eu sou a melhor pessoa que te apareceu em muito tempo. Eu acabo de te dar a minha total sinceridade. Não a falsidade das pessoas que te dão cinquenta centavos. Elas não têm tanta pena de você, o bolso delas estava pesado. Elas vão esquecer de você assim que virarem a esquina ou a esquina depois dela. Se você ainda ficar na cabeça deles depois disso, então talvez um outdoor vai varrer sua lastimável imagem da cabeça deles. Que sinceridade é essa a deles? Eles não querem perder dinheiro. Eu não quero e não vou. Eu estou sendo completamente sincero com você, como ninguém tem coragem de ser. E não vou pedir desculpas, pois estaria sendo hipócrita. Não se esqueça jamais do dia que encontrou o único homem sincero dessa cidade imbecil.

Termina de dizer essas palavras, se vira e vai andando até o cinema encontrar sua namorada, deixando o mendigo sozinho. Mas o homem sincero pelo menos nunca mais se esquecerá do mendigo. Jamais.

29 de dez. de 2009

C'est la vie

-João Mammana

Não adianta: há dias em que não importa o quanto você diga que sente muito e que já está de saída. Tudo parece pisar em você até que você vire a esquina mais distante ou suma na sombra mais próxima.

24 de nov. de 2009

Blasfemando

-João Mammana

- Acho que Deus está entre nós o tempo inteiro.

- Ele deve estar dentro de nós.
- É tão importante pra uma pessoa ter uma crença para se apoiar nos momentos difíceis.
- Com certeza.
- Há um tempo não vou a missas... vou tentar ir a alguma nas próximas semanas.
- Acho uma boa idéia irmos juntos, domingo próximo. Depois podemos jantar na minha casa.
- Ótima idéia! Mas e você que está calado? Não é religioso?
- Eu?
- É, tá aí só olhando pro prato sem falar nada...
- É que eu sou ateu...
- Que horror! Não acredito que alguém possa ignorar assim algo lindo como religião! Você deveria rever seus conceitos!
- Ela tem razão, dê uma chance ao Espírito Santo, homem! Sua vida pode melhorar em muito!
- ...
- ...
- ...
- Mas esse salmão está divino.

18 de nov. de 2009

Sombra sem luz

-João Mammana

Um amor acabou
quando, sobre ele
a bomba atômica explodiu.
O que sobrou foi a saudade,
a sombra pulverizada
sobre o muro que não caiu.

17 de nov. de 2009

Polissemia

-João Mammana

Maior... amor?
Nem mais idiota existe
que o meu.
Só de pensar nela,
fico triste.
Por me sentir triste,
sinto raiva,
soco a parede e choro.

O que me dói,
a razão,
o peito
ou a mão?

13 de nov. de 2009

Soneto do Scotch

-João Mammana

A cevada, o mais nobre cereal
colhido no hemisfério boreal,
pra atingir o seu auge enquanto grão,
precisa ser em bicas mergulhado,
ali dentro ficar abandonado
pra dois dias depois ser retirado,
meticulosamente bem secado
e irreversivelmente triturado.

A farinha que sai da moeção
deve ser colocada em infusão
que é pra se transformar, na água posto,
num líquido bem bonito de rosto
que os especialistas chamam de 'mosto'.

Em grandes continentes específicos,
todo o mosto deve ser derramado
pra lá dentro escorrer entre orifícios,
deixando todo o sólido pra trás,
que mais tarde vai ser aproveitado
pra fazer ração pro gado voraz.

Nessa gloriosa transformação,
junta-se o lêvedo à bela mistura
a setenta graus de temperatura.
Com o efeito da fermentação,
o açúcar sofre quebras de estrutura
que resultam na troca de função.

Através de longos tubos de ferro,
a bebida alcóolica corre em frente
rumo ao alambique de fogo quente
pra então ser destilada finalmente.

Terminada essa última etapa,
o que até aqui resistiu bravamente
é estocado doce e zelosamente
em barris de madeira de carvalho
e lá fica uma dúzia de anos
ganhando experiência, forma e força.

Então de lá é tirado, engarrafado,
rotulado, encaixotado, enviado,
recebido, guardado em prateleiras
e, em pouco tempo, está pra ser aberto
e consumido num brinde aos amigos.

E você, meu amigo, seja esperto,
respeite anos de um processo hermético:
peço-lhe que jamais faça a besteira
de sujar bom uísque com energético.

9 de nov. de 2009


Vou falar aqui de um dos meus discos favoritos de todos os tempos: Frances the Mute do The Mars Volta.

Com letras baseadas num diário encontrado no porta-luvas do carro novo do gerenciador da banda e harmonias e melodias baseadas nas viagens de Omar Rodriguez-Lopez, esse álbum acaba se tornando impecável e uma baita opção pra quem gosta de rock, freejazz, música experimental e eteceteras.

O Mars Volta foi fundado pela dupla Omar Rodriguez-Lopez (guitarrista) e Cedric Bixler-Zavala (vocais), ambos ex-At the Drive-In, banda de El Paso/Texas de post-hardcore que ascendeu tremendamente nos '90s e acabou segmentada em TMV e Sparta, esta mantendo o que pôde da sonoridade da banda anterior. E o ATDI acabou justamente porque Omar e Cedric queriam que o disco seguinte da banda soasse mais próximo de Piper at the Gates of Dawn do Pink Floyd (aliás, excelente). Irromperam brigas e brigas que culminaram na cisão.

Há muitas discussões ainda hoje sobre ATDI ser muito melhor que TMV e que a banda nunca deveria ter acabado. Mas atualmente já corre um boatinho de que Cedric teria dito em entrevistas que não ligaria de tocar de novo com o ATDI. E os fãs já ficaram feito cachorro no pé de um dono que derruba comida no chão.

O trabalho do TMV não pode ser definido muito bem, cada álbum soa de uma maneira e trata de um assunto (em geral bizarro e com uma abordagem impensável). A sonoridade é realmente algo, senão revolucionário, ao menos incomum. Músicas caóticas com melodias anacrônicas, climas sombrios beirando o fantasmagórico e letras que demandam um certo saco para interpretar (em alguns casos, possivelmente mal-escritas. Ver De-Loused in the Comatorium).

A banda conta com, atualmente, seis músicos. Além da dupla Cedric e Omar, ainda há Isaiah Ikey Owens nos teclados (velho conhecido dos dois, tocavam numa banda de dub onde Omar era baixista e Cedric, baterista), Juan Alderete de la Peña no baixo, Marcel Rodriguez-Lopez (irmão caçula de Omar) na percussão e Thomas Pridgen na bateria. Saídos da banda, há ainda a turma do sopro, uns guitarristas, bateristas e galerinha que mexe nos barulhinhos adicionais.

Muito amigo de Flea e John Frusciante (Red Hot Chili Peppers), Omar ainda consegue que Frusciante toque em pelo menos uma faixa por álbum nas gravações e também conseguiu que Flea gravasse o baixo nas gravações do primeiro álbum e trompetes no segundo. Não tocaram muitas vezes ao vivo juntos, dadas as circunstâncias.

A banda passou por poucas mudanças e conta com cinco álbuns de estúdio, um de b-sides e um ao vivo (ao menos oficial, sem contar bootlegs). Os 'grandes fãs' da banda aguardam ansiosamente pelo álbum que terá a mesma sonoridade e clima do primeiro e pela saída do atual baterista.

E assim é o TMV. :)

8 de nov. de 2009

Depois eu faço

- João Mammana

Quando eu morrer,
não quero que chorem
e quero que guardem as velas
pra quando a força cair.
Não precisam acabar com elas
só pra eu saber pra onde ir.

Quando eu morrer,
não quero que me enterrem.
Pelo contrário,
quero ser empalhado
e ter meu corpo levado
pra onde, em vida, não pude ir.

Arranquem-me as as tripas,
o cérebro e o pulmão,
mas peço por meio deste
que me deixem, intacto, o coração.
Deixem-no guardado em meu peito
pra que um dia ele bata em respeito
dos tiros da revolução,
já que esta, enquanto vivo,
não periga de explodir, não.

Joguem meu corpo no ralo da pia,
façam dele o que eu jamais faria
pois só de pensar, já entro em fadiga.

Depois de tudo,
e só então,
atirem na lixeira o coração
e mandem minha carcaça
praqueles jantares sem-graça
que, em vida, não tenho saco pra ir.

Estrofe bônus

- João Mammana

Pelas manhãs que se perdem num ritmo de matar,
pelas tardes insossas que a gente gasta em estudar
e pelas noites benditas depois do vestibular,
Deus lhe pague.